Erik Manfrim: “O mundo não terá grandes mudanças”

O empresário Erik Manfrim

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Sentado à mesa de reuniões, que não recebe mais do que duas pessoas desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março, o empresário Erik Manfrim, 53, evita dizer que o mundo passará por grandes mudanças depois que o vírus for embora — ou pelo menos deixar de infectar as pessoas.

Diretor da gigante Special Dog Company, de Santa Cruz do Rio Pardo, ele conversou com o DEBATE nesta sexta-feira, 14, pouco depois de almoçar com a reportagem, no refeitório da empresa. O local adotou rígidos protocolos de segurança para proteger os seus colaboradores e reduziu sua capacidade em mais da metade.

Antes do almoço, por exemplo, todos lavam as mãos obrigatoriamente. O próximo passo é oferecê-las a um agente que, com álcool, também participa da higienização. Dentro do refeitório também há álcool em gel.

O almoço deixou de ser servido em pratos. Agora são embalagens descartáveis. Ninguém está autorizado a retirar as máscaras antes de se sentar para comer. Elas só podem ser guardadas dentro de um plástico a que todos têm direito. De fato, há ali protocolos rígidos e que são seguidos.

O celular também deve ser deixado de lado. O motivo? O tempo destinado às telinhas precisa ser evitado para que todos os colaboradores da empresa possam almoçar.

Com capacidade reduzida, o refeitório não abriga mais as 90 pessoas de antes. Hoje são 18 — todos com distanciamento. O horário para comer, se antes acontecia das 10h30 às 13h, hoje foi prolongado em uma hora: 10h até as 13h30.

Um andar acima do refeitório, antes utilizado como auditório pela empresa, passou a ter mesas e cadeiras para que alguns colaboradores a mais possam ser atendidos. Com isso, mais 32 lugares foram abertos. O fato, porém, é que onde sentavam dez pessoas, hoje sentam duas. Impecavelmente, a rotina mudou por completo.

“Ninguém pensava que a pandemia duraria tanto tempo. Nem sei de cabeça quantas medidas tomamos. Foram várias. Aprendemos cada vez mais conforme o tempo foi passando”, diz. Um comitê de crise foi criado e 15 agentes de saúde foram contratados.

Erik diz ter se surpreendido com a rapidez com que a sociedade se adaptou às novas regras de convivência social. E é também a partir disso que ele aposta: o mundo não será tão diferente depois disso tudo.

“Algumas coisas poderão ser mantidas, é claro. Mas o contato social é necessário, faz falta”, diz. Reuniões virtuais, admite, são mais produtivas. Nem sempre, porém, divertidas — como costumava acontecer há apenas alguns meses.

Aqueles que estão em home office — como é o caso da maioria da equipe administrativa — devem permanecer assim até que a crise tenha fim. Mas se algumas empresas já estão planejando manter o trabalho em casa mesmo depois da pandemia, Erik não vê da mesma forma.

“Talvez, de alguma forma, mantenhamos o home office. Mas não sabemos em qual escala”, aponta. Ponto positivo, porém, está para o fato de que tudo passou a ser planejado e revisto diariamente. “Aprendemos muito com isso”, afirma.

Erik acredita, porém, que eventos que contem com várias pessoas, festas e coisas do gênero vão voltar assim que possível. “O uso de máscaras, depois que a população for imunizada, também vai cair”, aposta. “Talvez em algumas situações, como quando se está com gripe. Mas é difícil dizer”, conta.

O hábito de lavar as mãos, porém, passou a ser mais valorizado. “Este é o ponto mais positivo, imagino”. 

 

  • Publicado na edição impressa de 16 de agosto de 2020