João Ferreira: ‘O campo de críquete do coronel louco’

O campo de críquete
do coronel louco

João Ferreira *

POLÍTICA   Como é estranho jogar no campo de críquete do coronel louco.

Tal e qual o conto infantil de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, nada funciona da maneira certa no campo de críquete do coronel louco. A regra é: não há regras.

Ao contrário do título, e em homenagem ao conto, o campo não é de críquete, mas político.

É um jogo muito estranho. Durante a partida, que pode durar 4 ou 8 anos, dependendo do caso, o coronel louco sempre grita aos jogadores, à plateia e aos apaniguados durante a partida: cortem as cabeças deles!

Não sobra um: urubus, colunistas, jornalistas, autoridades diversas, enfim, só há o grito do coronel louco no seu campo de críquete. A figura sequer precisa ser contrariada. Afinal, até os apaniguados são alvos da fúria do coronel louco. Entretanto, essas cartas resistem, pois sempre querem banquetear junto ao dito coronel louco. Há outros que desistem: nem um louco consegue aguentar os desvarios do coronel louco.

Às vezes, os urubus e colunistas alertam: “eu não acho que eles joguem de maneira muito certa” (como disse Alice no conto).

Todavia, tanto a rainha de copas do conto de Carroll quanto o coronel louco só tinham “uma maneira de remover todas as dificuldades, grandes ou pequenas. ‘Cortem-lhe a cabeça’”.

O coronel louco não sabe fazer outra coisa: sempre pede a cabeça de todos, cuspindo marimbondos (e perdigotos – se estiver sem máscara), enfezado. O jogo? Pouco importa. Para o coronel louco, com seu ar de nojo e asco, parece valer mais querer as cabeças cortadas.

Contudo, só se intimida quem cai no conto do coronel louco. Basta enxergar a vida como ela é: o coronel louco é apenas uma carta de um baralho no país das maravilhas. Alice bem disse: “Ora, afinal de contas ele não passam de um baralho de cartas. Eu não preciso ter medo deles.” Parafraseando Alice, o coronel louco e seus apaniguados são um castelo de cartas; qualquer vento democrático derruba essa frágil construção mental. O coronel louco é apenas uma carta no jogo embaralhado da vida.

Enfim, a hipocrisia
Por que as autoridades dizem para ficar em casa e fazem as suas refeições fora das próprias casas? Conforme dizem na internet, “hipocrisia que chama?”

Cruzadão
Desde março sem fazer uma viagem de lazer ou refeição fora de casa, este colunista tem curiosidade de saber: quanto está o rodízio no posto Cruzadão?

Acabou!
Ao menos em tese, a tinta do coronel acabou. Resta saber se terá outra à disposição ou se haverá independência da nova caneta.

 

* João Ferreira é advogado e professor da faculdade de Direito Oapec de Santa Cruz

 

  • Publicado na edição impressa de 1º de janeiro de 2021