CULTURA

CARTAS

CARTAS

Domingo, 12 de agosto de 2001

Sobre ditadura e outros males

Há duas semanas o DEBATE publicou matéria que intitulou “Rebelião contra a ditadura do ouvinte”, isso precedido de uma chamada na capa do Caderno-D: “O fim da ditadura dos ouvintes” e, ainda, uma chamada na capa do jornal: “Abaixo a ditadura na rádio”. Em todos os três momentos, fotos da minha pessoa ilustravam as chamadas e a matéria. Sei sobejamente que a minha figura está marcada para sempre aos episódios da resistência democrática a uma dura e cruel ditadura militar que sufocou nosso país por tanto tempo. Digo mais: ainda agora o país enfrenta as conseqüências de um período tão longo de desmandos, quando grande parte de uma vanguarda pensante foi destruída e o que se vê hoje é um país dominado por gente bastante comprometida com denúncias de corrupção e sujeiras mil. Mas, apesar da marca, minha vida não se resume a uma luta contra a ditadura. Executei muitas outras tarefas, cumpri muitas outras missões, desenvolvi muitos outros projetos. E, muitas vezes, nem estava preocupado com eventuais resistências. Como agora.

Ao ser convidado a fazer um programa na simpática Radio Morena FM, em nenhum momento imaginei lutas contra ditaduras, seja de governo ou de ouvintes. Nem me passava pela cabeça que uma ditadura assim pudesse estar ocorrendo. Pensei, tão somente, em fazer um trabalho que me fosse prazeroso, agradável, e que pudesse ser agradável igualmente a uma parcela da população que, como eu, estivesse com “fome” de música e poesia. Então, de certa forma, a quantidade de chamadas no jornal contra uma “ditadura”, acabou sendo uma enorme surpresa para mim, tanto quanto para boa parte dos leitores, tenho certeza.

É verdade que não suporto ditadores. Sejam ditadores travestidos na figura de pai, professor, patrão, ou generais de esquerda ou de direita. Todos são igualmente abomináveis. Porque o ditador supõe ter as respostas. As soluções. E essa soberba os perde para sempre.

E digo isso para esclarecer que em meu programa há espaço para os ouvintes solicitarem suas preferências musicais. Tudo o que é preciso é que os pedidos estejam dentro do estilo do programa, que a gente vai desenhando, pouco a pouco. Nada é fechado, senão eu apenas estaria vestindo-me de ditador também.

Esclareço, ainda, ser verdade que estou farto de pop-sertanejo, de axé music, de pagodinhos, de um tipo de música de exaltação ao sexo, à safadeza, à sacanagem. Gostaria muito que minha impressão, de que há um espaço para a boa música e para a boa poesia, fosse verdadeiro e não sómente uma impressão “virtual”. Gostaria muito que esse programa pudesse ter longa vida no ar. Que pudesse ajudar-me a por o pão em minha mesa, em ajudar a conseguir o “leite das crianças”. O critério de boa música e boa poesia em meu programa não poderia ser diferente, é meu. Que não seja unanimidade, mas que possa ter ouvintes suficientes. Tudo o que desejo é viver. Sem maiores dramas ou caças quixotescas de inimigos imaginários. Poupemo-nos para os reais. Que estão por aí, e acabarão mostrando suas carantonhas, mais cedo ou mais tarde. Infelizmente.

Em tempo: na matéria sôbre o lançamento do boletim da APAE “Gente Especial”, consta que executei tarefa voluntária à associação. A bem da verdade recebi uma ajuda de custo para executar o trabalho no Boletim. Ainda que, se necessário fosse, teria tido o mesmo prazer em executá-lo de forma voluntária, porque as crianças ali atendidas merecem mais que isso até.

(a) — Edjalma Dias (S. Cruz do Rio Pardo)


Nota da redação — As chamadas, títulos e textos do jornal são definidos segundo critérios da redação, longe, porém, de ser uma decisão ditatorial...




Azar e sorte de quem?

De súbito modo acordei nesta última quarta-feira e como faço todas as manhãs, antes mesmo do café, liguei a televisão para ver o “Bom Dia Brasil”. Gosto do telejornal que consegue antecipar algumas das notícias que nos são depois transmitidas por outros jornais e telejornais no decorrer do dia. Em um dos seus blocos, onde os apresentadores nos passam as diversas notícias que serão destaques nas capas dos principais jornais escritos do país e do mundo, me deparei com o surpreendente: Jornal O Globo - “Brasil é 1º no ranking do desenvolvimento”; Folha de São Paulo - “Índice de desemprego em SP já é o menor do mundo”, O Estado de São Paulo - “Grande São Paulo tem o maior índice de segurança do país”. Correio Carioca (RJ) - “Grande Rio agora sem favelas e sem drogas”; Notícias Populares - “FHC esquarteja a inflação”; Gazeta Mercantil - “Balança Comercial tem superávit histórico”, Zero Hora (RS) - “Gaúchos comemoram o plano Real”; Correio Braziliense (DF) - “Nossos parlamentares obtém o melhor índice em honestidade no mundo”; Gazeta Esportiva - “Seleção 100% se classifica para Copa de 2002”; El Clarin (Buenos Aires) - “Nuestros hermanos brasileños ahora em G-8”; The New York Times (Nova Iorque) - “Well coming to the 1st world, Brazil”.

Aí então caros leitores, quando o apresentador deu uma pausa e chamou os comerciais, não é que o bendito do velho Citzen se dispôs a entrar em ação e a apitar como um doido varrido! Dei um baita safanão no despertador e, sem essa intenção é claro, mandei-o de encontro à parede — se esfacelou todo e não sobrou nem ponteiros prá contar história. Mas também pudera, o azar foi dele — quem mandou, não é?

Me levantei. Eram sete e quinze e a casa toda já cheirava ao café, liguei a televisão no momento em que estava começando o “Bom Dia Brasil” e logo veio a certeza de que eu havia mesmo era tido um delicioso sonho.

Alguém tinha me dito dias antes que eu faço uso deste espaço só para falar mal da nossa política e da nossa economia e com isso desagrado aos leitores. Bem, acho então que me encasquetei com aquilo e fui dormir com as tais palavras no inconsciente, e talvez aí esteja a explicação para o sonho, pois somente através dele é que acharia algo de bom em nossa política econômica e social — não é verdade?

O fato é que a realidade pode não agradar à você caro leitor, e confesso que tão pouco agrada a mim, mas acho que a função dos artigos não é agradar a ninguém, pois quanto mais se falar na desgraceira toda que se espalha pela nossa terra tupiniquim, mais nos conscientizaremos da necessidade de urgentes mudanças. Que me ajudem com suas palavras o Carlos Heitor Cony, o Clóvis Rossi, a Eliane Catanhêde e o Luís Nassif, entre outros.

Mas vou tentar, ao menos de vez em quando, falar coisas boas. Por enquanto me desculpem caros leitores pelos artigos, e quem sabe um dias eles não sejam mais necessários, mas até lá o azar será o nosso, e também é claro, do velho Citzen.

E a sorte? Ah, essa será do ‘Seu’ Carlito da “Relojoaria Brasília”, é que certamente ele vai me vender outro despertador “novo em folha”.

(a) — Fabrício Dias de Oliveira (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)




PAS da Vila Fabiano

Gostaria de responder, através deste jornal, a uma pergunta deixada no ar, na entrevista com a responsável pelo PAS da Vila Fabiano e divulgada no domingo (22/07/01). Na oportunidade a Drª. Regina não soube responder o que diferencia aquele PAS dos demais. Será que não seria a dedicação com que médicos como o Dr. Carlos Zaia — por sinal muito querido e popular entre os usuários —, atende as pessoas que lá comparece?

Ainda em tempo, vão os parabéns pela escolha, ao Dr. Carlos e aos outros funcionários que lá atendem, estimulados não só pelos seus salários...

(a) — Etevaldo das Dores (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
SANTA CRUZ DO RIO PARDO

Previsão do tempo para: Sexta

Períodos nublados com aguaceiros e tempestades
30ºC máx
19ºC min

Durante a primeira metade do dia Céu encoberto com tendência na segunda metade do dia para Céu encoberto com chuva moderada

COMPRA

R$ 5,51

VENDA

R$ 5,51

MÁXIMO

R$ 5,54

MÍNIMO

R$ 5,51

COMPRA

R$ 5,48

VENDA

R$ 5,82

MÁXIMO

R$ 5,68

MÍNIMO

R$ 5,65

COMPRA

R$ 6,68

VENDA

R$ 6,68

MÁXIMO

R$ 6,74

MÍNIMO

R$ 6,67
voltar ao topo

Voltar ao topo