CULTURA

Advogado tem coleção de 10 mil latinhas

Renato Alvim iniciou coleção quando encontrou uma latinha na praia; hoje, exemplares lotam barracão

Advogado tem coleção de 10 mil latinhas

O advogado santa-cruzense Renato Alvim, o maior colecionador de latinhas da região

Publicado em: 03 de julho de 2021 às 05:47
Atualizado em: 03 de julho de 2021 às 06:02

Sérgio Fleury Moraes

 

Se o maior colecionador de latinhas da América do Sul, um comerciante do bairro da Lapa em São Paulo, possui 35 mil exemplares diferentes, o advogado santa-cruzense Renato Alvim Gonzaga de Oliveira, 39, não fica muito atrás. Considerado um dos maiores colecionadores da região, ele possui cerca de 10 mil latinhas de bebidas nacionais e estrangeiras. As mais raras são as primeiras cervejas e refrigerantes em lata do Brasil, que surgiram início dos anos 1970.

Renato geralmente usa terno e roupa social durante o dia, mas só os amigos e familiares conhecem os fundos de sua casa, no centro de Santa Cruz do Rio Pardo. Além de criações excêntricas — como galinha, coelhos e pássaros — e seis cachorros, o advogado usa enormes garagens e um barracão para abrigar dois carros antigos (um Chevette 1981 já reformado e uma Brasília 1975 a caminho da restauração) e uma fantástica motocicleta Yamaha de 950 cilindradas, praticamente nova.

Mas é no barracão principal que está uma das maiores paixões de Renato Alvim: uma exuberante coleção de latinhas de todos os tipos, tamanhos e cores. A atração foi despertada na juventude, quando ele já admirava uma coleção exposta na lanchonete “Nina’s”, em Santa Cruz. Em seguida, ainda adolescente, Renato encontrou uma lata da holandesa Amstel chegando a uma praia. Foi o ponto de partida para uma coleção que não para de crescer.

Renato Alvim e as primeiras latas de cervejas e refrigerantes fabricadas no Brasil, a partir de 1971

“Na verdade, eu queria ser veterinário”, conta o bisneto do médico Pedro César Sampaio, uma das personalidades mais marcantes da história de Santa Cruz do Rio Pardo. Isto explica o gosto pelos animais. “Era meu sonho. Na escola, sempre gostei de Biologia e fiz de tudo para entrar numa faculdade de medicina veterinária. Mas minha família cobrava que eu fizesse Direito e eu não perdi muito tempo. E não me arrependo”, diz.

A Amstel na praia foi encontrada durante as férias do então adolescente. “Eu percebi alguma coisa brilhante no meio do mar e me aventurei em buscar. Na época, a importação de cervejas estava começando e era uma lata diferente. Fiquei encantado, mas quando olhei no lixo da praia, havia muitas iguais”, diz, rindo.

Porém, como era novidade para Santa Cruz, Renato voltou com um saco cheio de latinhas. Estava começando sua grande coleção, que logo teve o incentivo dos pais. “Meu quarto era repleto de latinhas, com cerca de mil exemplares. Como não tinha espaço, comecei a encaixotar latas e parei com o hobby durante cerca de dez anos”, contou.

Marcas com desenhos divertidos e coloridos fabricadas no Brasil e exterior estão na coleção

Já casado, o advogado passou a ter o incentivo também da mulher. A atual residência, pelo amplo espaço nos fundos, foi o estopim para a retomada da coleção. E uma curiosidade: a mulher dele já foi casada antes — e justamente com um colecionador de latinhas. “Ela só me contou depois”, afirmou.

Hoje, a coleção ocupa pelo menos três paredes do enorme barracão nos fundos da residência. O impressionante é que cada prateleira para abrigar as latinhas vai até o teto, praticamente lotada. E ainda é pouco, já que há uma outra grande quantidade guardada em caixas, à espera da instalação de outras prateleiras na parede restante.

A quantidade de latinhas e a altura das prateleiras impressionam qualquer visitante

 

Renato teve o cuidado de separar por marcas de refrigerantes, água mineral ou cervejas, mas também há espaço para latinhas importadas — dos Estados Unidos, Espanha, Rússia e dezenas de outras nações. A coleção também possui latas de cachaças e até vinhos.

Quando viaja, Renato costuma “garimpar” exemplares diferentes em grandes supermercados, lojas de importados ou até em locais que lançam edições limitadas de determinadas cervejas. Estas são consideradas as ‘moscas brancas’ para colecionadores, pois são raras.

Uma delas, por exemplo, é de uma prima que possui um restaurante em Petrópolis, no Rio de Janeiro. “Em comemoração a um aniversário do estabelecimento, eles fizeram uma tiragem limitada de uma cerveja com o nome do restaurante. Era a ‘Pellegrini’, que se tornou rara”, explicou.

Cerveja comemorativa do restaurante “Pellegrini", no Rio de Janeiro, de propriedade de uma prima

 

O surpreendente é que Renato Alvim Gonzaga de Oliveira nunca experimentou nenhuma cerveja de sua coleção. “Eu não bebo”, admitiu. Mas, então, quem bebe? “Meus amigos, meu pai. Meu prazer é ter a latinha na coleção”, garante. Entretanto, o advogado lembra que nem todas as cervejas são agradáveis, mesmo para quem aprecia a bebida. “Algumas do exterior são bem diferentes das brasileiras. Tem uma da Rússia cujo sabor ninguém aguenta”, brinca.

Hoje, Renato faz parte de vários grupos de colecionadores no WhatsApp, inclusive no exterior. É nestas horas, diz, que funciona o “google tradutor”, uma ferramenta onde trechos são digitados em português e automaticamente traduzidos para outras línguas. Foi aí que ele descobriu o valor financeiro da coleção. “Há latas que são vendidas a quase R$ 10 mil”, diz.

Coleção de Renato ocupa três paredes de um enorme barracão

 

A coleção aumentou com trocas e compras de exemplares, mas principalmente pela doação de outras coleções. “Tem gente que não tem espaço e, sem paciência, se desfaz de sua coleção. Eu aceito, claro. Mas a verdade é que nunca me importei com o valor”, afirmou.

Numa das prateleiras estão provavelmente algumas das peças mais valiosas, as primeiras latas de cerveja e refrigerantes lançadas no Brasil. A novidade chegou em 1971 pelas mãos da Skol, na época a grande concorrente da Brahma e Antarctica — que hoje estão reunidas na Ambev.

Acima e abaixo, anúncios antigos da época em que a cerveja em lata começou a ser fabricada

 

O material usado na fabricação, porém, era outro. A latinha era feita de folha de flandres, um metal que acabava interferindo no sabor e costumava enferrujar com o tempo. Entre os colecionadores, é conhecido como “lata ferrosa”. Somente oito anos depois, em 1979, é que a Skol lançou outra novidade: a lata em alumínio.

O curioso é que a latinha foi implantada no mercado dos Estados Unidos em 1935, num formato de 350ml, mas só era possível furar a tampa com algum instrumento externo, como um abridor. Até que um dos fabricantes foi fazer piquenique com a família e se esqueceu do abridor para cervejas e refrigerantes. Passou, então, a pesquisar um sistema fácil de abertura, surgindo o revolucionário anel que, puxado, permite a remoção de uma tampa.

Há vários exemplares de cervejas fabricadas em quase todos os continentes

 

Renato Alvim possui “ferrosas” não apenas de cerveja, mas também dos primeiros refrigerantes em lata lançados no Brasil. Em alguns anos, conta, é difícil colecionar latinhas da Coca-Cola, por exemplo. “Eles lançam vários modelos, com nomes próprios ou de cantores. Neste caso não dá para comprar todas”, explicou.

Para o advogado, a coleção é uma diversão para os amigos. “Muitos fazem uma verdadeira viagem no tempo, lembrando os refrigerantes que tomavam na juventude”, diz. Para Renato, porém, é um local para “arejar” a cabeça. “Às vezes fico horas aqui, olhando como consegui cada uma das latinhas. É uma verdadeira terapia, uma forma de aliviar a tensão”, garante.

 

* Colaborou Toko Degaspari

RARIDADES — Renato mostra lata de cerveja fabricada na África

 

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