CULTURA

Antiga usina Vigor de Santa Cruz, que marcou gerações, é demolida

Antiga usina Vigor de Santa Cruz, que marcou gerações, é demolida

Quinta, 14 de janeiro de 2021

Proprietários do imóvel ainda estudam alternativas, mas não descartam a construção de um novo edifício no local

Sérgio Fleury Moraes

Da Reportagem Local

A velha estrutura que sobrou da outrora imponente “Usina Vigor” de Santa Cruz do Rio Pardo foi demolida na quarta-feira, 6. Os proprietários do imóvel pretendem deixar o terreno limpo para a visita de investidores que vão analisar projetos para o local. A Vigor estava instalada na rua Euclides da Cunha, na área comercial central da cidade. Ela deixou de funcionar na década de 1990 e, anos depois, vendeu o patrimônio.

Não há registros históricos sobre a construção da usina, que foi uma das importantes unidades da tradicional marca brasileira de alimentos. Sabe-se, porém, que ela operou durante décadas no mesmo local. Depois de fechada, a Vigor destacou funcionários para assegurar a manutenção dos prédios.

Em pouco tempo, porém, o abandono ficou visível e parte das estruturas começou a ruir. O local passou a ser usado por andarilhos e vizinhos começaram a reclamar. A Vigor, entretanto, demorou a negociar o imóvel porque sugerir um preço que era considerado alto em função da situação do prédio.

A Vigor funcionou décadas em Santa Cruz, mas perdeu a concorrência para cooperativas (Foto: André Fleury)



Momento da demolição do nome "Vigor" (Foto: Toko Degaspari)



Há quase oito anos, o patrimônio da antiga usina foi adquirido pelas famílias do contador Hélio Pichinin e de Jair Horácio Contim. Antes de qualquer projeto, os novos donos precisaram regularizar parte da construção na Justiça, através de uma ação de usucapião. Isto aconteceu depois do negócio ser fechado, pois a antiga escritura apresentou algumas irregularidades.

Há dois anos, o contador Hélio Pichinin - que ainda é o diretor-presidente da Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo, mas perdeu a função administrativa em razão da intervenção municipal – disse que havia vários planos para o terreno. As ideias orbitavam em torno da construção de um hotel ou até de um centro empresarial.

Na semana passada, o empresário Jair Horácio Contim, que também é sócio do empreendimento, explicou que nenhum projeto está descartado. No entanto, ele anunciou que os proprietários deverão se reunir com diretores de uma construtora na próxima semana, para definir planos.

“São investidores que vão debater as ideias. Hoje, a mais forte é a construção de um prédio residencial, mas são projetos para conversar”, explicou. Segundo Jair, a pandemia atrapalhou o mercado imobiliário e da construção civil, principalmente em relação aos materiais. “Tem produto que subiu até 100% e isto prejudicou muito os negócios”, afirmou.

FIM DE UMA ERA - A usina foi importante para a economia da cidade durante muitos anos (Foto: André Fleury)



O empresário antecipou que, caso a construção de apartamentos seja aprovada, a estimativa é que seja um edifício de até 10 andares para pequenos apartamentos. Nos últimos anos, cresceu muito a demanda por este tipo de moradia, de até 70 metros.

Jair Contim lembrou que o espaço possui excelente localização. Está na região central de Santa Cruz do Rio Pardo e perto de supermercados, farmácias, Santa Casa e Fórum.

A demolição dos escombros da Vigor encerra, enfim, uma era em que a produção de leite na região era praticamente ditada pela indústria. O movimento naquela quadra da rua Euclides da Cunha era intenso todas as manhãs, com os produtores trazendo galões com milhares de litros de leite da zona rural.

Além disso, ao lado da usina a Vigor implantou uma pequena loja para venda direta de leite a granel para o consumidor. Nas décadas de 1960 e 1970 a população comprava o produto no local levando panelas e leiteiras.

Mas a Vigor de Santa Cruz foi vencida pelos concorrentes. É que a usina não pasteurizava o leite, apenas resfriando o produto entregue pelos produtores. Em outros municípios, a Vigor já possuía outras unidades para a pasteurização.

Com a chegada de várias cooperativas no mercado, os produtores começaram a ter novas opções de venda e a Vigor se enfraqueceu a ponto de fechar a usina de Santa Cruz do Rio Pardo.

Porém, a Vigor ainda é um dos maiores grupos alimentícios do País, tendo mais de um século de existência. Se em 1917 a empresa iniciou suas atividades com a missão de melhorar a qualidade do leite brasileiro, hoje a Vigor é marca conhecida entre iogurtes, margarinas, queijos, requeijão e outros produtos.

Até 2017, a Vigor pertencia ao grupo J&F, controladora da “Friboi”, cujos donos se envolveram em casos de corrupção e acertaram um acordo de delação premiada com o Ministério Público. Desde então, a empresa começou a se desvalorizar e a J&F acabou negociando a Vigor com um grupo mexicano. 



  • Publicado na edição impressa de 10 de janeiro de 2021


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