CULTURA

Funileiro foi pai aos 12 anos, mas só descobriu aos 29

Funileiro foi pai aos 12 anos, mas só descobriu aos 29

Publicado em: 13 de agosto de 2017 às 19:51
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 00:05

Exame de DNA revelou há quatro anos que amiga de

turma era, na verdade, sua filha; aos 33 anos, já é avô

Sérgio Fleury Moraes

Da Reportagem Local

São adolescentes embalando bebês. Ser pai muito jovem geralmente é fruto de um “acidente” em relacionamentos, nunca algo planejado. A situação, embora envolva amor, muda completamente a rotina de jovens que encaram muito cedo o dever de cuidar de filhos. A reportagem conversou com alguns pais e descobriu que, mesmo com a surpresa da paternidade, eles também experimentam um novo tipo de amor, para muitos inigualável.

A história mais extraordinária é a do funileiro Sérgio Pâmio Aragão Júnior, 33, que há apenas quatro descobriu que é pai de uma jovem. Órfão de pai há aproximadamente dez anos, ele voltou a comemorar o Dia dos Pais, agora como protagonista, há apenas três.

Serginho, como é conhecido, contou que teve um caso com uma mulher mais velha quando entrava na adolescência. Foi quase uma brincadeira, o despertar do desejo sexual num menino. A mulher logo se transferiu para outra cidade. Estava grávida, mas ninguém sequer suspeitou que o filho poderia ser de Pâmio. Nem ele.

Os anos se passaram, Sergio cresceu, assumiu um ofício semelhante ao do pai — que era mecânico de motores diesel — e, como todo jovem, tinha sua turma. Entre os amigos, estava Helen, uma bonita jovem, hoje com 21 anos, que sempre saía com o grupo nas baladas.

Há três anos, o funileiro recebeu um telefonema daquela mulher da infância. Perguntou se ele se lembrava dela ter ficado grávida e admitiu a possibilidade da menina ser filha de Pâmio. E mais: a menina era Helen.

SURPRESAS DA VIDA— Sérgio Pâmio era amigo de Helen, mas não imaginava que a jovem fosse sua filha, fruto de um romance dele aos 11 anos

SURPRESAS DA VIDA— Sérgio Pâmio era amigo de Helen, mas não imaginava que a jovem fosse sua filha, fruto de um romance dele aos 11 anos



“Eu dei risada. Já tive relacionamento com namoradas e nenhuma delas ficou grávida. Pensei, inclusive, que eu tivesse algum problema e não poderia ter filhos”, disse.

Serginho disse que nem se preocupou com a dúvida, pois tinha certeza que não era pai de ninguém. “Seria praticamente impossível um menino de onze anos ser pai”, insistiu. Foi aí que Helen, informada pela mãe, procurou o amigo e propôs um exame de DNA para tirar a prova.

Sérgio Pâmio não fez qualquer objeção.

Os dois foram ao laboratório buscar o exame. Foi Helen quem abriu o envelope. “Ela deu um enorme sorriso de felicidade. Eu era o pai dela”, conta o funileiro, emocionado.

A partir daí, tudo começou a se encaixar. “Ela é muito parecida comigo”, conta Pâmio, orgulhoso em ter descoberto a filha. “Até o gênio difícil é o mesmo”, emenda.

Felicidade

Hoje, Sergio e Helen continuam saindo com os amigos, mas agora como pai e filha. “Antes a gente brincava com os namorados dela. Agora, dou conselhos e até bronca nos pretendentes”, brinca. O único inconveniente é aturar as brincadeiras dos amigos ou o ciúme da filha. “Ela já estragou namoro meu com amigas dela”, lembra Sergio, rindo.

O relacionamento entre o pai de 33 anos e a filha de 21 não poderia ser melhor. Os conselhos e as conversas, por exemplo, são entre dois jovens. “Eu já errei muito na minha vida e, por isso, tenho experiência para orientá-la ainda na juventude”, contou.

O mais surpreendente é que Helen também presenteou Sergio com um neto. “Eu já sabia que ela era mãe, mas nem imaginava que o garoto era meu neto”, conta. A criança tem quatro anos.

O maior desafio é recuperar o tempo perdido. “Sinto não tê-la conhecido como filha mais cedo e acompanhado seu crescimento”, diz o funileiro.

Mas a vida também preservou os dois, já que, como numa novela de TV, eles poderiam, como bons amigos, ter algum tipo de relacionamento. “A sorte é que eu sempre achei ele velho demais”, brinca Helen, antes de levar um carinhoso tapinha do pai. Os dois, agora, planejam mudar a certidão de nascimento da jovem e incluir, finalmente, o nome do pai.




Gabriel, pai aos 16 anos, diz que "baba" pelo filho Luiz Otávio

Gabriel, pai aos 16 anos, diz que "baba" pelo filho Luiz Otávio



Adolescentes dizem que, após o

‘susto’, paternidade vale a pena

FELICIDADE — O garotinho Luiz Otávio, entre o avô “Nenê”, 39, e o pai Gabriel Alves de Mira, 18

FELICIDADE — O garotinho Luiz Otávio, entre o avô “Nenê”, 39, e o pai Gabriel Alves de Mira, 18



Quando soube que a namorada estava grávida, Gabriel Rodrigo Alves de Mira tinha apenas 15 anos. “Foi um susto, mas depois a gente vai se acostumando. Na verdade, foi uma bênção na minha vida”, garante o jovem, hoje com 18 anos, quando olha para Luiz Otávio, o filho que ainda não completou três anos.

Pintor como o pai — o conhecido “Nenê” —, Gabriel mora no Jardim Santana e convive com a namorada como marido e mulher. “Quando peguei meu filho no colo, foi a melhor sensação do mundo. A gente fica babando”, garante.

O maior problema, além do susto, foi contar a novidade aos pais. “Na verdade, ele não poderia falar muito porque foi pai aos 19 anos”, admite Gabriel, sob os risos de Éverson Rodrigo, o agora avô “Nenê Pintor” aos 39 anos. “É claro que dei uma bronca no Gabriel, mas o Luiz Otávio é a alegria da casa”, garante o novato avô.

Para Gabriel, ser pai aos 16 anos representou dois tipos de experiências. “Se por um lado a gente não tem tempo para outras coisas, na verdade eu e meu filho vamos aproveitar muito nossa convivência”, diz, admitindo ser “pai coruja”. Ele leva o menino para todos os lugares. Luiz Otávio, inclusive, já pilota até um carrinho movido a gasolina.

Gabriel diz que aprendeu a trocar fraldas no primeiro dia do nascimento do filho.

Aos 18, dois filhos

“VETERANO” — Lucas tem apenas 18 anos, mas já é pai de dois garotos

“VETERANO” — Lucas tem apenas 18 anos, mas já é pai de dois garotos



O santa-cruzense Lucas Ferdin da Rosa já pode ser considerado um pai “veterano”. Aos 18 anos, tem dois filhos, um de três anos e outro de seis meses. Estudante da escola “Sinharinha Camarinha”, ele começou a namorar aos 14 anos. Ela tinha 13. De repente, a gravidez inesperada. “A gente nunca pensa que isso vai acontecer”, admite Lucas, que trabalha numa fábrica de calçados.

Adolescentes, compram testes em farmácias para tirar dúvidas. Todos davam positivo. Decidiram, então, contar aos pais. Os dois levaram broncas das famílias, que, depois do susto, passaram a apoiar o jovem casal. E Luiz Miguel veio ao mundo.

Embora em casas separadas, Lucas começou a viver com a namorada como marido e mulher. Houve uma breve separação e, no retorno, aquela paixão desenfreada. Pronto, um novo filho estava a caminho, batizado de Henrique. “Aí a bronca foi mais séria”, conta.

No caso de Lucas, a mudança na rotina foi drástica, embora ele tenha orgulho dos filhos. Mas o jovem precisou deixar a escola para trabalhar. “Afinal, são dois filhos para sustentar”, conta. Também deixou de jogar bola, mas sorri, sem esconder orgulho, quando as pessoas perguntam se as crianças são seus irmãos.
SANTA CRUZ DO RIO PARDO

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