CULTURA

Hulda Bittencourt, que morreu aos 87 anos, nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo

Coreógrafa e bailarina, ela foi conhecida no mundo inteiro

Hulda Bittencourt, que morreu aos 87 anos, nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo

Hulda Bittencourt é considerada uma das lendas da dança no País

Publicado em: 06 de novembro de 2021 às 04:00
Atualizado em: 10 de novembro de 2021 às 14:11

Sérgio Fleury Moraes

Tradicionalmente, Santa Cruz do Rio Pardo tem o triste hábito de esquecer suas personalidades do mundo cultural e artístico. Por isso, foi surpresa para muitos a notícia de que a coreógrafa e bailarina Hulda Bittencourt, que morreu na segunda-feira, 1º, era nascida em Santa Cruz. Ela foi a fundadora do “Estúdio de Ballet Cisne Negro” em 1958, que deu origem à consagrada companhia de dança a partir de 1977.

Pouca coisa se sabe sobre a vida de Hulda em Santa Cruz do Rio Pardo. A família morava na cidade onde ela passou a maior parte da primeira infância antes de se mudar para São Paulo. A bailarina nasceu em julho de 1934, primogênita e única filha mulher de uma família humilde.

Hulda morreu aos 87 anos, vítima de um AVC — Acidente Vascular Cerebral. Horas antes, ela havia assistido à apresentação do espetáculo “Primavera” no Teatro Alfa e, ao voltar para casa, começou a apresentar problemas vasculares. Levada ao hospital Albert Einstein, os médicos diagnosticaram o AVC. Ela morreu horas depois.

Segundo o gerente de programação do Teatro Alfa, Fernando Guimarães, Hulda comentou que estava ansiosa para retornar no final do ano e assistir o “Quebra-Nozes”, a mesma montagem que premiou a bailarina em 1984 e que foi reencenada inúmeras vezes ao longo dos anos.

Hulda com alunos de balé da “Cisne Negro Companhia de Dança”

Maria Hulda Françoso Bittencourt foi aluna de celebridades do balé mundial, como a russa Maria Olenewa, radicada no Brasil, e a tcheca Vera Kumpera, referência no mundo todo na dança contemporânea. Junto com o marido, o engenheiro químico Edmundo Rodrigues Bittencourt, a bailarina dedicou sua vida à dança.

Aliás, o sobrenome pelo qual Hulda passou a ser conhecida no mundo todo é o herdado do marido Edmundo, que a ajudou em todos os momentos de sua carreira e morreu em 2004. Hulda era da família Françoso e praticamente não existem mais registros deste nome em Santa Cruz do Rio Pardo na década de 1930. Uma pista pode ser o nome da mãe, Maria Otília Kühne Françoso (1914-1996), que era costureira.

Em São Paulo, para onde se mudou ainda criança, Hulda foi criada na vila Madalena, um dos expoentes da cultura na capital. Queria ser dançarina, mas na adolescência sofreu a resistência do pai, Olívio Françoso (1906-1980), que considerava a profissão como algo de “mulheres da vida”.

Foto do livro do governo do Estado com a biografia da bailarina

Mas a menina teve o apoio da mãe Maria Otília (1914-1996), que separava parte do dinheiro da feira para que Hulda comprasse sua primeira sapatilha. Claro que o pai, mais tarde, compreendeu a vocação e passou a ter orgulho da filha.

Hulda fundou a “Cisne Negro Cia. de Dança” em 1976 como uma firma individual, quando construiu um prédio na rua das Tabocas para ser a sede do estúdio. Ao longo dos anos, a companhia cresceu e se apresentou, além do Brasil, em países como Alemanha, África do Sul, Argentina, Canadá, Chile, China, Cuba, Escócia, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Paraguai, Uruguai e Romênia, entre outros. Vários espetáculos ganharam os maiores prêmios da categoria no Brasil.

Hulda Bitencourt especializou-se em vários métodos de ensino, entre eles o da Royal Academy of Dancing, e dançou em vários grupos, incluindo o consagrado “Ballet de Cultura Artística”. A dançarina e coreógrafa também participou de inúmeras óperas, operetas e musicais, além de trabalhar durante anos na Organização Victor Costa – um dos grupos pioneiros da televisão no Brasil e que mais tarde deu origem à TV Excelsior.

A santa-cruzense, na verdade, se tornou uma lenda da dança brasileira, a ponto de sua morte ser noticiada em jornais, rádios, revistas e emissoras de televisão de todo o mundo. No Brasil, o “Jornal Nacional” dedicou quase um bloco inteiro à bailarina, citando a cidade de nascimento de Hulda. O argentino “La Nacion” dedicou quase uma página à brasileira.

O corpo de Hulda foi sepultado na noite de segunda-feira, 1º, no cemitério Gethsêmani no Morumbi, em São Paulo. Viúva, ela deixou as filhas Daniele e Giselle, que comandam as instituições fundadas pela mãe. 

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