CULTURA

José Eduardo Catalano é um dos premiados no APCA 2020

José Eduardo Catalano é um dos premiados no APCA 2020

Quarta, 27 de janeiro de 2021

Radialista de Santa Cruz do Rio Pardo ganha prêmio e faz companhia com nomes de peso, como o artista Caetano Veloso e o jornalista Pedro Bial

Sérgio Fleury Moraes

Da Reportagem Local

O advogado, professor, radialista e comunicador José Eduardo Catalano é um dos vencedores do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria “rádio”. O santa-cruzense venceu no quesito “profissional do ano”, como o mais antigo radialista profissional na ativa numa mesma emissora de rádio, a Difusora de Santa Cruz do Rio Pardo. Catalano foi o terceiro santa-cruzense a receber o prêmio que existe desde 1956. Os outros foram Umberto Magnani Netto e Plínio Rigon.

Os vencedores foram anunciados na segunda-feira, 18. Além do radialista, figuram entre os vencedores do APCA de 2020 artistas como Caetano Veloso, Marcelo Adnet, Pedro Bial, Eduardo Moscovis, Camila Morgado, Teresa Cristina e outros. O padre Júlio Lancellotti, conhecido pelo trabalho social que desenvolve em São Paulo com populações de baixa renda, venceu na categoria “urbanidade”.

A 64ª edição do Prêmio APCA também premiou os melhores filmes nacionais, séries, dança, música, exposições, atividades culturais e até ações de sustentabilidade. Neste último quesito, as vencedoras foram a senadora Benedita da Silva (PT) e a deputada federal Jandira Fegalli (PC do B), pelo trabalho de elaboração e regulamentação da “Lei Aldir Blanc”, que garantiram condições emergenciais para a cadeia produtiva da dança.

Em 1955, Catalano (no canto, à esquerda) entrevista Juscelino Kubitschek na rádio Difusora



Aos 87 anos, José Eduardo Catalano está afastado do rádio desde o início da pandemia, em março do ano passado. Segundo ele, seu programa radiofônico na emissora, o “Loteria Musical”, fazia homenagens a pessoas. “Embora não seja uma aglomeração muito grande, a situação não deixava de ser arriscada. Mas vou voltar assim que tudo se normalizar”, afirmou.

Catalano disse que, por enquanto, permanece em casa aguardando o momento de receber a vacina. “Estou esperando a lista dos 80 anos”, disse.

Nos anos 1960, no Clube dos Vinte, da esquerda para a direita estão: Buza, Benedito Camarinha, José Eduardo Catalano, Carlos Queiroz e Luizito Quagliato



Catalano durante o carnaval de 1962



O radialista disse que ficou “emocionado” com a notícia de que foi um dos premiados no APCA. “Foi uma surpresa e uma honra, as duas do mesmo tamanho”, brincou.

Os organizadores da APCA ainda não definiram como será a cerimônia de entrega dos prêmios. Nesta 64ª edição, as categorias foram excepcionalmente reduzidas devido à pandemia do coronavírus. Nas outras edições, a cerimônia foi realizada em grandes teatros de São Paulo, inclusive o imponente Municipal.

É o mais importante prêmio recebido por José Eduardo Catalano ao longo de sua trajetória como radialista e comunicador. Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo em 1933, ele ingressou na rádio Difusora — na época de propriedade do deputado Leônidas Camarinha, do bancário José Antônio Ramos e do comerciante João Queiroz Júnor — quando a emissora ainda estava transmitindo em caráter experimental.

Em 1948, na posse de Lúcio Casanova como prefeito, Catalano aparece na janela à direita, ao lado de Benedito Camarinha



Para ganhar o emprego, Catalano venceu um concurso de “melhor locutor” no alto-falante da praça central, o único meio de comunicação sonoro da cidade na época. A pedido do pai, o adolescente teve registro em carteira, fato raro na época e, hoje, a prova dos 72 anos numa mesma emissora e com um programa praticamente igual. No início, era “O Telefone é Quem Manda”, depois rebatizado de “Loteria Musical”.

Nos anos 1960, José Eduardo Catalano criou o “Programa do Estudante” e o “Radio Clube Mirim”, respectivamente nas noites de sábado e manhãs de domingo, ambos transmitidos ao vivo pela rádio Difusora. Ele comandava brincadeiras no palco do Clube dos Vinte, entretendo crianças e adolescentes, e marcou gerações em Santa Cruz do Rio Pardo. Catalano era, enfim, uma espécie de “Silvio Santos” do interior.

José Eduardo Catalano mostra livro sobre Silvio Santos



Aliás, José Eduardo também participou ao vivo de um dos programas de Silvio Santos que era apresentado durante a semana pela antiga TV Tupi na década de 1970. Ele representou uma das clientes do “Baú da Felicidade” e, para surpresa do atual dono do SBT, ganhou todos os prêmios, inclusive um automóvel zero quilômetro.

Nos anos 1960, aliás, por pouco Catalano não deixa sua cidade natal. Ele foi aprovado para ser o locutor oficial do “Repórter Esso”, um programa noticioso transmitido por várias emissoras de rádio do Brasil. No entanto, pensou duas vezes e resolveu ficar em Santa Cruz. O “Repórter Esso”, então, passou a ser apresentado por Luiz Lopes Corrêa.

Já faz alguns anos que o radialista de Santa Cruz se tornou o recordista mundial como apresentador com mais tempo de programa numa única emissora. Ele quase saiu no “Guinness Book”, o livro dos recordes, mas recusou quando percebeu que deveria pagar uma quantia elevada pela publicação.

José Eduardo revê fotos antigas durante exposição em sua homenagem



No entanto, o radialista também sempre foi o locutor principal das notícias. Catalano chegou a anunciar a inauguração da primeira emissora de televisão do Brasil, em 1950, o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, a conquista do primeiro título da seleção brasileira em 1958, a inauguração de Brasília em 1960, a chegada do homem à lua em 1969 e o centenário de Santa Cruz do Rio Pardo em 1970.

José Eduardo Catalano também se enveredou pela política — e praticamente nunca saiu dela. Foi o vereador mais votado nas eleições de 1972 e reeleito em 1976. Em 1982, foi candidato a vice na chapa de Joaquim Severino Martins. Depois, nos anos 1990, foi nomeado assessor jurídico da Câmara e ficou no cargo durante quase 30 anos.

Em 2016, o radialista foi o primeiro santa-cruzense a receber a “Comenda Poder Legislativo”, evento que serviu para o lançamento de seu livro, “Testemunha Ocular — Vi, Ouvi e Vivi”.

Foi, ainda, mestre de cerimônias nos principais eventos de Santa Cruz do Rio Pardo e governador do Rotary Club, do qual foi um dos fundadores. Advogado e professor, José Eduardo torce como poucos pelo fim da pandemia. Quer retomar o programa diário na Difusora e continuar fazendo o que gosta: dar diversão às pessoas. 

* Colaborou Toko Degaspari



  • Publicado na edição impressa de 24 de janeiro de 2021


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