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Aldo Matacha, que morreu aos 88 anos, duvidava das atrocidades da ditadura

Ele tinha 88 anos e foi prefeito entre 1977 e 1982 e vice de Claury Alves

Aldo Matacha, que morreu aos 88 anos, duvidava das atrocidades da ditadura

Aldo foi ligado ao regime militar, eleito prefeito entre 1977 e 1982, e implantou o Distrito Industrial

Publicado em: 17 de novembro de 2023 às 18:26

Sérgio Fleury Moraes

 

O engenheiro Aldo Matachana Thomé morreu sábado, 11, aos 88 anos, em Ourinhos. Ele enfrentava problemas de saúde há algum tempo, mas a causa da morte não foi revelada. Aldo foi prefeito de Ourinhos entre 1977 e 1982 e vice de Claury Santos Alves da Silva entre 1992 e 1996.

Político conservador, Aldo sempre foi ligado aos grandes empresários de Ourinhos, como os irmãos Quagliato e o setor agropecuário, além de apoiar a ditadura militar. Ele foi fundador da empresa “Projex Engenharia” e foi sócio, durante um período, do ex-vereador José Carlos Camarinha, de Santa Cruz do Rio Pardo. Quando a sociedade se desfez, cada um manteve a própria empresa de engenharia.

Sua primeira participação na política foi numa conturbada eleição em 1968, aos 33 anos, quando a ditadura militar recrudescia e perseguia parlamentares da oposição. Na época, somente eram permitidos dois partidos políticos — a Arena, que apoiava o regime militar, e o MDB. Aldo foi candidato a prefeito contra Lauro Migliari, curiosamente os dois da Arena.

Naquela eleição o MDB não lançou candidato a prefeito, mas seus eleitores apoiaram a candidatura de Lauro. Afinal, ele era vereador e, embora da Arena, tinha algumas posições contrárias à ditadura. Aldo recebeu 4.252 votos, mas perdeu para Lauro Migliari, eleito com 7.339 votos.

Foi um período tão conturbado que Lauro Migliari foi cassado pela ditadura militar seis meses depois. Como sempre aconteceu no regime militar, nunca houve informações detalhadas sobre o motivo da cassação. Contudo, Lauro havia apoiado na Câmara uma moção de apoio a Cuba pelo ataque sofrido em 1961 por grupos paramilitares anticastristas.

O vice Mithuo Minami precisou acampar em frente ao prédio da prefeitura para garantir sua posse, uma vez que o cargo também era reivindicado pelo presidente da Câmara.

 

Aldo Matachana Thomé, quando prefeito, durante abertura da Fapi (Foto: Francisco de Almeida Lopes)

 

Aldo Matachana voltaria a disputar a prefeitura em 1976 pela Arena, quando venceu Esperidião Cury (MDB) por uma larga vantagem: 9.168 a 4.661 votos.

Ligado aos militares e ao partido da ditadura, Aldo conseguiu muitos recursos para Ourinhos em sua gestão. Foi um período em que o Brasil tinha facilidade de obter empréstimos internacionais, cujo montante resultaria na quebra financeira do País na década seguinte.

Umas das obras mais relevantes foi a construção do Distrito Industrial de Ourinhos, nas proximidades do aeroporto. Sua decisão mais importante, no entanto, foi resistir à encampação da SAE (Serviço de Água e Esgoto) pela Sabesp, mesmo sendo ligado ao então governador Paulo Maluf. Aldo deixou o governo com enorme prestígio junto aos políticos e à população.

Curiosamente, em 1988 ele apoiaria a candidatura de Lauro Migliari, o mesmo adversário que o venceu vinte anos antes. Entretanto, Lauro foi derrotado pelo médico Clóvis Chiaradia, do PMDB.

Com prestígio em queda, principalmente pela chegada de um eleitorado mais jovem, distante dos anos em que Aldo se destacou como prefeito, ele foi eleito vice de Claury Santos Alves da Silva, pai do atual prefeito Lucas Pocay. Durante o governo, Aldo rompeu com Claury, quando o prefeito anunciou a entrega à iniciativa privada da construção de uma usina de tratamento de esgoto, num caso que foi parar na Justiça.

Em 1996, aos 61 anos de idade, Aldo Matachana tentou retornar à prefeitura, disputando as eleições pelo antigo PFL. Foi apenas o terceiro colocado, com uma votação muito inferior ao eleito Toshio Misato. Em seguida, abandonou a política.

Aldo nunca escondeu sua admiração pela ditadura militar e chamava o golpe de 1964 de “revolução”. Em entrevista ao DEBATE em 2005, ele duvidou as atrocidades do regime militar. “Na verdade, existe muita fantasia nesta história de perseguição política e muita gente se aproveita disso”, afirmou na época.

O corpo de Aldo Matachana Thomé foi velado na Câmara Municipal de Ourinhos. O sepultamento estava previsto para este domingo.

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