CULTURA

Rockefeller, o magnata apaixonado pelo Brasil

O homem mais rico do mundo em sua época teve investimentos no Brasil, inclusive em Jacarezinho

Rockefeller, o magnata apaixonado pelo Brasil

Um dos homens mais ricos do mundo, Nelson Rockefeller viajou dezenas de vezes ao Brasil

Publicado em: 13 de março de 2021 às 05:08
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 07:19

Sérgio Fleury Moraes

Quem viveu os ‘Anos Dourados’ em Jacarezinho-PR, a apenas 63 quilômetros de Santa Cruz do Rio Pardo, poderia dar de cara com Nelson Rockefeller, na época governador do Estado de Nova Iorque e pré-candidato a presidência dos EUA pelo partido Republicano. Ou, então, encontrar nas ruas com o ministro da Agricultura do presidente João Goulart, Renato Costa Lima, e ainda esbarrar em Antônio Secundino de São José, o dono da Agroceres e sócio de Rockefeller. Se tivesse sorte, poderia tomar um café com Walter Moreira Salles, que foi embaixador do Brasil nos EUA no segundo governo de Getúlio Vargas e dono do Unibanco. Como se não bastasse, era fácil encontrar algum Orleans e Bragança, já que a família imperial brasileira morou na cidade de 1951 a 1964.

Assim, na movimentada Jacarezinho dos anos 1950 e 1960, a presença da mais bela atriz de Hollywood, Rhonda Fleming, do galã do cinema Rossano Bazzi e da atriz brasileira Odete Lara, não era propriamente um episódio único.

Afinal, a cidade do Norte Pioneiro do Paraná viveu uma época de economia forte, empresas multinacionais e poderosos empresários. Hoje, mantém sua força e se transformou também numa cidade universitária.

Cidade, aliás, que costumava ser visitada por Nelson Rockefeller, o herdeiro da família mais rica do mundo no início do século XX. O empresário tinha vários negócios em Jacarezinho, onde foi sócio de Antônio Secundino e Walter Moreira Salles. Além disso, o magnata estadunidense era amigo de Renato Costa Lima, diretor da usina de álcool de Jacarezinho e ministro da Agricultura no governo de João Goulart.

Teria sido Rockefeller, aliás, quem sugeriu Jacarezinho para ser o principal cenário do filme “Pão de Açúcar”. Nos Estados Unidos, Nelson Rockefeller foi vice-presidente dos Estados Unidos entre 1974 e 1977 e governador de Nova Iorque de 1959 a 1973.

Apesar de magnata e membro do partido Republicano, Nelson era considerado muito liberal. Por isso, não conseguiu a indicação do partido como candidato a presidente nas convenções de 1960, 1964 e 1968. Porém, carismático, foi o mais longevo governador de Nova Iorque.

No Brasil, seus investimentos se espalharam pelo atacadista Makro, a loja de confecções Garbo, pecuária com cabeças de boi a perder de vista, e ainda a tecnologia do milho híbrido. Eram tantos negócios que seu nome ficou muito famoso no País e sempre citado em colunas sociais dos jornais e nas páginas de economia.

Nelson era neto de John Rockefeller, fundador da “Standard Oil” e o homem mais rico do mundo no início do século XX. Calcula-se que o magnata esteve no Brasil dezenas de vezes, algumas em Jacarezinho para cuidar de seus negócios. Porém, também conviveu com as mais altas autoridades dos governos civis brasileiros entre o Estado Novo e a ditadura militar.

Rockefeller participou das gestões para que Getúlio Vargas apoiasse os aliados na Segunda Guerra Mundial contra o eixo liderado por Adolf Hitler. Para convencer o então presidente, o magnata patrocinou a vinda ao Brasil de Walt Disney e do cineasta Orson Welles, no início da década de 1940. Pressionado pelos Estados Unidos e pela própria população, Vargas declarou guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista em agosto de 1942.

Certa vez, em 1952, desembarcou no aeroporto do Rio de Janeiro e foi direto para o Palácio do Catete, onde seria recepcionado num “almoço para 148 talheres” oferecido pelo jornalista e empresário das comunicações Assis Chateaubriand.

Mas também se preocupava com o social. Em outra ocasião, ao visitar a filial da “Standard Oil” na Venezuela, ficou espantado com o fato de os funcionários dos Estados Unidos não falarem espanhol, o que para Rockefeller era uma demonstração de arrogância com a cultura daquele país. Além disso, as instalações eram separadas por cercas, com os venezuelanos não se misturando com os estadunidenses. Irritado, Nelson mandou 12 professores de espanhol à sede venezuelana, iniciou a construção de casas populares e mandou retirar todas as cercas.

Amava o Brasil, sobretudo as mulheres brasileiras. No entanto, suas conquistas amorosas sempre foram abafadas pela mídia. Ao escrever sobre Rockefeller há seis anos, o jornalista Paulo Vieira contou que o magnata morreu em 1979 da maneira como sonhava: “Na cama, com uma mulher 45 anos mais nova”. 

Rockefeller recebe nos EUA o presidente brasileiro João Goulart

Colaborou: Miguel Moyses Abeche Neto

Leia mais:
O dia em que Hollywood visitou Santa Cruz

PUBLICIDADE

SANTA CRUZ DO RIO PARDO

Previsão do tempo para: Quarta

Períodos nublados
23ºC máx
10ºC min

Durante todo o dia Céu limpo

COMPRA

R$ 5,20

VENDA

R$ 5,20

MÁXIMO

R$ 5,20

MÍNIMO

R$ 5,20

COMPRA

R$ 5,29

VENDA

R$ 5,62

MÁXIMO

R$ 5,46

MÍNIMO

R$ 5,46

COMPRA

R$ 6,17

VENDA

R$ 6,17

MÁXIMO

R$ 6,17

MÍNIMO

R$ 6,17

PUBLICIDADE

voltar ao topo

Voltar ao topo